19:30
Um horário onde pessoas estão saindo de seus trabalhos miseráveis. Todos se aglomeram em um mesmo lugar: o bar do Harry no fim da rua. Um pequeno boteco com uma luz azul fraca; porém deixa-nos capazes de ver todos ali. Uma máquina antiga de som quase enferrujada tocava a minha música preferida: All My Lovin, Amy Winehouse (cover Beatles).
Peço, como sempre, um bom e velho copo de whisky; procuro em minha bolsa
vermelha a carteira de cigarros, finalmente acho, pego um juntamente com o
isqueiro; levo-o a boca e trago, observo o ambiente; pessoas
sentadas com seus copos cheios, alguns espalhados pelas mesas de madeira
antiga, outros junto a mim ao balcão. Acendo meu cigarro, puxo, trago e solto
lentamente a fumaça, formando um cone; ela se dispersa no ambiente carregado de
angustia. “Quisera eu ser como a fumaça de um cigarro, dispersar-me pelos
lugares, cada parte espalhada e levada para qualquer lugar pelo vento.”, sorrio
cansadamente
A música continua e algumas pessoas se levantam e bebem o resto de sua dose,
colocando o copo sobre a mesa; o ventilador no teto roda cansado, debatendo-se e
rodando, quase parando, fazendo ruídos baixos. “O bar do Harry, tão carregado
de tristeza quanto o próprio Harry. Ao perder sua esposa, filha e mãe em um
acidente de carro no qual ele mesmo dirigia embriagado, tornara-se frio. Seu
rosto, antes vívido, hoje traz olheiras profundas; seus olhos, antes inundados
por amor por sua família, hoje traz a tristeza que outrora não sabia que
existia. Pobre Harry!” Levanto o copo como um aceno para ele e ele retribui
apenas com um aceno de cabeça; voltando a lavar os copos.
Sobre mim? (Sorrio). Minha vida não
leva a perda de Harry; tampouco um casamento desgastante como o de Benjamim; ou
até mesmo a revolta de Louis por tornar-se advogado por insistência do pai.
Não, não trago comigo nenhuma tragédia ou amor não correspondido. Tenho um
emprego que gosto – um dia saberão -, tenho meus pais em casa que me recebem
com um sorriso, tenho uma linda sobrinha... Você está se perguntando o que faço
aqui, não é? Faço essa pergunta todas as sextas.
Gosto de juntar-me aos desajustados, aos angustiados, aos entristecidos, aos
vagabundos. A realidade deles me tira da ilusão que vivo constantemente; o modo
como eles veem o mundo como um lugar amargo, nota-se o quão sábios são por
enxergar a verdade, não são utópicos. Eu sou como eles, vivo por ai, vagando.
Orgulho-me de ser quem sou, você deveria fazer o mesmo.
20:00.
Engulo o líquido, coloco o copo sobre o balcão, dou uma profunda tragada, inclino a cabeça para trás e solto a fumaça; amaço o cigarro no cinzeiro. Aceno rapidamente para Harry e ele retribui. Pego minha bolsa, jogo sobre os ombros, pego o casaco vermelho e jogo sobre os braços. Caminho e enquanto isso passo a mão nos ombros de Benjamim e Louis; amigos fieis, sempre aqui comigo. Abro a porta e saiu caminhando lentamente; leve-me para onde quiser...
Engulo o líquido, coloco o copo sobre o balcão, dou uma profunda tragada, inclino a cabeça para trás e solto a fumaça; amaço o cigarro no cinzeiro. Aceno rapidamente para Harry e ele retribui. Pego minha bolsa, jogo sobre os ombros, pego o casaco vermelho e jogo sobre os braços. Caminho e enquanto isso passo a mão nos ombros de Benjamim e Louis; amigos fieis, sempre aqui comigo. Abro a porta e saiu caminhando lentamente; leve-me para onde quiser...

Nenhum comentário:
Postar um comentário