- Bom, eu também vou chegar tarde hoje, vou sair com minhas amigas ou simplesmente andar um pouco para espairecer as ideias e, quicá, desenhar algo. - Falo com um tom objetivo e direto, não abrindo nenhuma porta para o começo de mais uma discussão entre mim e meus pais, que sempre fazem questão de desmerecer a arte, alegando ser coisa de hippies e vagabundos que não se importam com vida, apenas ficam vagabundando por aí.
sábado, 3 de outubro de 2015
A beleza em cada momento...
- Bom, eu também vou chegar tarde hoje, vou sair com minhas amigas ou simplesmente andar um pouco para espairecer as ideias e, quicá, desenhar algo. - Falo com um tom objetivo e direto, não abrindo nenhuma porta para o começo de mais uma discussão entre mim e meus pais, que sempre fazem questão de desmerecer a arte, alegando ser coisa de hippies e vagabundos que não se importam com vida, apenas ficam vagabundando por aí.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Querido diário
Querido diário,
Incontáveis vezes ficamos incomodados com demostrações de carinho em livros, novelas, filmes e até mesmo ao nosso redor, no nosso cotidiano, já que, atualmente, estão ritualizando o amor com tanta intensidade que diversas vezes ficamos tentados a degustar um pouquinho dessa sensação que todos que já provaram sentem tanta paz ao comentar sobre. Riem abobadamente ao se lembrarem de um amor passado ou do atual; comentam com tanta leveza na voz, tanta emoção, que ao pensarmos, parece-nos, em primeira pessoa, um daqueles momentos que fazemos o que mais gostamos.
Eu, particularmente, não vejo nenhuma emoção, inúmeras vezes vemos, após o término de um relacionamento, cada um sofrendo de um lado, mas geralmente, há sempre aquele que sofre mais, é como se para nós de fora, aquele momento que viveram juntos tivesse sido unilateral. Não tenho medo da dor, pois já a conheço de várias formas ainda mais avassaladoras do que uma tristeza de perder aquele que tanto diz amar. Contudo, não me vejo apta a falar sobre tal coisa, a partir do momento que estou pressupondo coisas que me deixam assustada e que me prende a ponto de não me deixar experimentar.
Levo comigo a frieza da Antártida, onde vários que tentassem se aproximar não suportariam; levo também, uma muralha erguida conscientemente envolta de espinhos cuja proteção é capaz de amedrontar aqueles mais destemidos que tentassem penetrar automaticamente seriam barrados e voltariam para casa repleto de cortes que, quiçá, jamais poderiam ser curados. Não que eu queira ser sozinha, mas não acho que a companhia de homem seja tão importante, eu só me acho auto suficiente o bastante para não necessitar de alguém ao meu lado.
No entanto, observando melhor a situação, vejo que estou tentando adiar o inadiável, parece-me apenas medo do desconhecido. Percebo que sim, sou capaz de amar e ser amada, porém, considerando o quão birrenta, teimosa e independente sou, seria necessário que um homem fosse capaz de suportar tais coisas sem que questione ou tente me mudar. Vejo casais se amando e pergunto-me se é realmente necessário toda aquela coisa melosa; vejo fotos e legendas enfatizando diversas vezes o quanto se amam e que não são fortes o bastante para viver sem àquela pessoa. Eu não sei se consigo ser assim e bem provavelmente, todos que se relacionam esperam de seu amado ao menos um pouco dessa "melosidade" uma vez ou outra.
Ultimamente tenho pensando tanto sobre isso que chego a não dormir a noite com medo, anseio e inúmeros sentimentos que não sei nomear ou entender pois jamais senti nenhum deles. Mas agora apenas quero repassá-los para alguém que os mereça - e obviamente que me mereça também.
Por fim, deixo minhas palavras falarem por mim, como uma observadora de fora, apenas quero entender o que se passa com a protagonista. Talvez, um dia, eu vá encontrar alguém, mas, por hora, irei ficar quieta, como sempre estive. Para tudo tem seu tempo, estando próximo ou não, não iria adiantar o meu nesse quesito. Prefiro a demora carregada de certeza do que a rapidez repleta de inconveniências e futura dor.
Querido diário, por fim, despeço-me para pairar meus desenhos mais íntimos, pois, como já disse acima sobre meus sentimentos, sou incapaz de descrevê-los e apenas aquele merecedor de armadura brilhante irá tê-los intensamente.
Amélia, 10/08/2015
sábado, 2 de maio de 2015
Longa trajetória; velha história; agora, menos ilusória.
Depois de anos sonhando com seu toque, com seus beijos, suas carícias, suas doces palavras sussurradas no meu ouvido... mas eu nunca pude ter nada disso, você não me dera tanta alegria, apenas um sensação de frio na barriga, que parecia que jamais passaria, nem mesmo um porre terminou com isso, aqueceu. Quisera eu ter minhas unhas caminhando sobre suas costas; minhas pernas abraçando sua cintura; meus lábios sendo prensados contra os seus. Você me prometera amor, carinho, companheirismo... mas a unica coisa que me proporcionou foi uma sensação de vazio; raiva, ódio, desprezo e uma tristeza imensurável.
O sol entrava pela fresta da janela, e quando olhei para o lado, havia um homem sentado ali, com a barba feita por fazer, os olhos fechados, o cabelo liso caindo sobre o rosto... Daria um lindo desenho. "Oh!" Peguei minhas coisas e coloquei-me a desenha-lo, caprichosamente. Cada traço, feito detalhadamente... seria um lindo desenho para se guardar...
Acordo assustada, sonhava que... olho para o lado e lá está o belíssimo, segurando uma folha entre seus dedos longos, espera... uma folha! Sento-me apressadamente e vejo que ele está olhando seu autorretrato, analisando de forma minuciosa. "Como se entendesse algo sobre o desenho ou sobre a arte." - Está incrível! A forma como você joga para a folha a sua natureza íntima e sua paixão pelos traços, demonstram o quão boa artista és! - Fala, com uma voz grossa e carregada de confiança. Ele entende, ele sabe sobre a arte. - A arte é vista com maus olhos para alguns, pensam que ela é feita apenas para os ricos, pois não lhes dá dinheiro e assim, o rico já tem e pode usar apenas como um hobbies. Mas a arte, a arte foi entregue a nós como forma de libertação, com ela, podemos observar coisas que - vista, mesmo que com uma alta frequência - a sua beleza. A arte liberta o homem! - Termina. Se levanta e pisca para mim, saindo do ônibus.
18:30.
Já na cidade de minha amiga, preparo-me para passear por lá, um cinema, um shopping, não sei. Visto um vestido preto, simples, mas sensual; colado no corpo, enfatizando minhas curvas. Uma sandália preta alta e uma corrente dourada. Jogo o cabelo para o lado e saio da casa junto com minha amiga. Ela acende dois cigarros e me passa um.
Chegamos ao shopping, jogamos os cigarros fora e entramos. Andamos lentamente pelos enormes corredores repletos de pessoas, vamos até uma lanchonete e nos sentamos, pedimos um chop... Antes que chegue, vou ao banheiro. Olho-me no espelho, ajeito o vestido e saio de lá. Olho para frente e... lá está ele, com uma calça folgada preta, o boné azul escuro e os olhos verdes brilhando, encarando-me, sinto-me despida até a alma. Nunca o terei. Ele me olha. Eu retribuo. Jogo o cabelo para o lado e coloco-me a andar, passo ao lado dele e continuo, apertando meus lábios, caso fosse rir ou chorar, ao menos iria me segurar.
Sento ao lado de minha amiga, bebo todo o meu chop... bato sem querer em minha bolsa e cai dela uma folha amassada, desamasso a mesma e lá está o homem do ônibus, olhando-me com aquele jeito confiante que só ele possui. Sorrio, está ai minha próxima aventura; o homem, aquele que tanto sonhei e finalmente o encontro, tornara-se agora, apenas uma vaga lembrança, um beijo que nunca foi dado. Ele agora é só apenas alguém que eu conheci.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
15:20..
sábado, 25 de abril de 2015
19:30...
Um horário onde pessoas estão saindo de seus trabalhos miseráveis. Todos se aglomeram em um mesmo lugar: o bar do Harry no fim da rua. Um pequeno boteco com uma luz azul fraca; porém deixa-nos capazes de ver todos ali. Uma máquina antiga de som quase enferrujada tocava a minha música preferida: All My Lovin, Amy Winehouse (cover Beatles).
Engulo o líquido, coloco o copo sobre o balcão, dou uma profunda tragada, inclino a cabeça para trás e solto a fumaça; amaço o cigarro no cinzeiro. Aceno rapidamente para Harry e ele retribui. Pego minha bolsa, jogo sobre os ombros, pego o casaco vermelho e jogo sobre os braços. Caminho e enquanto isso passo a mão nos ombros de Benjamim e Louis; amigos fieis, sempre aqui comigo. Abro a porta e saiu caminhando lentamente; leve-me para onde quiser...

