Amélia.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Dor profunda. ~2
~~~ ♤ ♧ ♢ ~~~
"Sempre juntas, sempre Unidas. Irmãs.
Fazemos nosso juramento, temos 10 anos. Morgana está sentada a minha frente com um vestido rosa claro, o cabelo amarrado em um coque perfeito. Ela está sorrindo, eu estou sorrindo. Damos um abraço apertado e ela diz: - melhor amiga. Sorrio e digo o mesmo.
• Sempre juntas, sempre unidas, Irmãs. •
Temos 15 anos. Estou deitada sobre o seu colo. - Am, estarei sempre aqui pra você, minha vadia. Você sabe que o Dimi não vale nada, você sabe que ele só usa as garotas. Você está acima disso, meu anjo. Você é maravilhosa, pode ter o gostosao que quiser. - Ela está me consolando. Dimi era meu namorado, o cara mais popular do Colégio. Ela havia me traído. - eu te amo, Mor. - Falo e dou um beijo na sua bochecha. Ela limpa minhas lágrimas. - Eu te amo, Am. - Ela sorri.
▪ Sempre juntas, sempre unidas, Irmãs. ▪
18 anos. Ela está chorando no meu colo. Seu pai que ela fizesse Medicina, estava obrigando-a. Ela semprw quis História, mas diziam que isso não dava futuro e nem dinheiro. - Mor, a vida é sua, é sua trajetória, você quem deve escolher o que quer, você deve escolher o que te faz feliz e eu vou apoiar qualquer que seja essa decisão. - Percebo que não é apenas isso que está deixando-a triste, mas não vou força-lá a falar. Sorrio o ela retribui. - Am, você é minha melhor amiga, sempre irei te amar. Você é perfeita. Você é ingênua e inocente, percebe a beleza em todas as coisas. Eu te amo, irmã. - Ela beija meu rosto. - Nunca vou deixa-la, sempre estarei aqui pra você, Mor. Nunca iremos nos distanciar. Promete? - Ela me olha e diz: - Prometo."
~~~ ♤ ♧ ♢ ~~~
- VOCÊ NÃO CUMPRIU. VOCÊ PROMETEU ESTAR AO MEU LADO, VOCÊ PROMETEU NUNCA ME ABANDONAR. VOCÊ PROMETEU! - Grito. Choro. Bato no volante.
Limpo meu rosto, saiu do carro e entro novamente no velório. Está na hora dos discursos. Serei a última. Sento num Banco qualquer e observo todos se pronunciarem.
Chega minha vez. Me levanto, caminho para frente do caixão, me virando para todos.
- Morgana foi minha amiga por 18 anos. Ela transbordava alegria. Em qualquer lugar que estava, todos se sentiam inundados por sua felicidade. Ela sabia como alegrar, ajudar as pessoas. Eu nunca vou me esquecer da minha amiga. Eu nutri sentimentos fortes por ela. Eu a amo. O amor entre duas pessoas pode ser bom, mas o amor entre duas amigas, é ainda melhor. Não sei o que dizer aqui, quando se ama verdadeiramente uma pessoa, não ha palavras que descrevam isso. Acredito que, na amizade, um seja o complemento do outro, o Porto Seguro do outro, a âncora do outro. Eu depositei todo meu amor nessa pessoa maravilhosa. - Suspiro profundamente. Pego um papel que estava sobre o balcão atrás de mim, pego a caneta que estava ao lado do papel. Começo a escrever. Todos me olham surpresos a curiosos. Escrevo no papel. Vou até minha amiga, levanto o vel e coloco o papel na sua mão.
"Sempre juntas, sempre unidas.
Irmãs."
Dor profunda. ~1
Acordo assustada com o toque alto do meu telefone que estava debaixo do travesseiro. Ainda sonolenta, pego o mesmo e atendo.
- Sim? - falo com a voz ainda grogue. Ouço um suspiro. Olho para a tela do celular e consta ser minha mãe. - Mãe? Algum problema? Esqueceu suas chaves?
- Não, minha querida. Queria eu que fosse isso. - Noto que sua voz falha um pouco.
- Er... mae? Tu estás me assustando. O que houve? Tudo bem com você? Com o pai? - Levanto da cama. Começo a me preocupar.
- Sim, tudo bem com a gente. O problema é com... - Ela suspira e novamente sua voz volta a falhar, noto uma certa resistência em falar o que queria. - Bom, o problema é com Morgana. Oh, minha filha, não sei como te falar isso, nem devia ser pelo telefone. Mas é preciso que saiba agora.
- Tá. Então fale, está me assustando. O que houve com Morgana? - Morgana é minha melhor amiga, estamos juntas desde o Jardim de infância. Silêncio. - Mãe! Fala logo.
- Morgana faleceu, seu corpo foi encontrado logo pela manhã por sua mãe. Ela suicidou, Amélia. Sinto muito, muito mesmo. Queria estar aí com você, mas devido ao...
Deixo o telefone cair, sem deixar que mae termine e falar. Caio de joelhos no piso frio. Grito o mais alto que posso, lágrimas escorrem compulsivamente e dançam no meu rosto. Fico em posição fetal no chão. Como? Por que? Como ela pôde? Como vou ficar sem ela? Ela me conhecia melhor do que qualquer um, melhor do que eu mesma. Era em seu colo que eu chorava, desabafava; era na companhia dela que eu me sentia verdadeiramente feliz; era ela quem me apoiava a continuar desenhando; era ela quem me tirava dessa realidade sombria; eu a amava e nem consegui ajudá-lá.
Morgana era depressiva, porém disfarçava bem. Considerando os pais que temos, nem era necessário usar a máscara, eles não tinham tempo para nós, sabíamos que eles nos amava, contudo, toda a correria do trabalho não permitia que ficássemos sempre juntos. Morgana sempre esteve ao meu lado, sempre me ajudou e eu... bem, eu não consegui fazer o mesmo. Quando eu caía, ela me levantava. Quando eu sorria, ela era o motivo da felicidade. Quando eu bebia, ela me acompanhava. Quando eu precisava fugir, ela me acolhia.
Levanto do chão, vou ao banheiro e tomo um banho rápido, enrolo a toalha no corpo e vou até o guarda roupa. Pego um vestido preto justo com decote em V grande. Procuro por um scarpin tão preto quanto o petróleo. Santo na penteadeira, escovo meus cabelos e faço um rabo de cavalo alto. Coloco meus brincos de argola médio e passo batom vermelho claro. Procuro minha bolsa e logo retiro o cigarro. Pego o isqueiro em cima da cama e acendo o cigarro. Puxo, trago e solto. Começo a andar indo em direção às escadas. Desço e vou para sala, abro a porta e saio. Vou até meu carro, coloco a chave e o ligo. Lágrimas escorrem calmamente pelo meu rosto. Limpo. Vou em direção ao Centro Pax, um lugar frio, depressivo.
Vejo vários carros ali parados. Estaciono o meu, desço e caminho até a entrada. A entrada é um arco de mármore Preto, bordado com flores de cores claras. Entro a dou de cara com o caixão. Não quero me aproximar, não quero me despedir. Fico parada na entrada, segurando a bolsa com ambas as mãos. Não consigo me mover. Minha mãe me percebe, se levanta do Banco e vem até mim. Ela me abraça forte, posicionando minha cabeça contra seus seios. Ela acaricia minha cabeça, beija o topo dela, me aperta contra seu corpo. Não me movo. Quero sair dali. Quero minha amiga! Respiro fundo, me desprendo de minha mãe e caminho até o caixão preto. Paro na frente dele e la está Morgana.
Seu cabelo está solto sobre os ombros com cachos lindos, bem feitos. Bochechas rosadas, porém o resto de seu rosto está pálido. Seus olhos fechados. Lábios pintados com um.batom rosa bebê. Percebo que está usando o vestido roxo que comprara para nossa formatura. Posiciono a mão sobre seu rosto, acaricio sua testa. Uma lágrima cai sobre o vel que a cobria. A mãe dela me abraça e chora desesperadamente. Choro em silêncio, por dentro. Não irei chorar diante aquela que sempre fazia sorrir.
sábado, 3 de outubro de 2015
A beleza em cada momento...
- Bom, eu também vou chegar tarde hoje, vou sair com minhas amigas ou simplesmente andar um pouco para espairecer as ideias e, quicá, desenhar algo. - Falo com um tom objetivo e direto, não abrindo nenhuma porta para o começo de mais uma discussão entre mim e meus pais, que sempre fazem questão de desmerecer a arte, alegando ser coisa de hippies e vagabundos que não se importam com vida, apenas ficam vagabundando por aí.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Querido diário
Querido diário,
Incontáveis vezes ficamos incomodados com demostrações de carinho em livros, novelas, filmes e até mesmo ao nosso redor, no nosso cotidiano, já que, atualmente, estão ritualizando o amor com tanta intensidade que diversas vezes ficamos tentados a degustar um pouquinho dessa sensação que todos que já provaram sentem tanta paz ao comentar sobre. Riem abobadamente ao se lembrarem de um amor passado ou do atual; comentam com tanta leveza na voz, tanta emoção, que ao pensarmos, parece-nos, em primeira pessoa, um daqueles momentos que fazemos o que mais gostamos.
Eu, particularmente, não vejo nenhuma emoção, inúmeras vezes vemos, após o término de um relacionamento, cada um sofrendo de um lado, mas geralmente, há sempre aquele que sofre mais, é como se para nós de fora, aquele momento que viveram juntos tivesse sido unilateral. Não tenho medo da dor, pois já a conheço de várias formas ainda mais avassaladoras do que uma tristeza de perder aquele que tanto diz amar. Contudo, não me vejo apta a falar sobre tal coisa, a partir do momento que estou pressupondo coisas que me deixam assustada e que me prende a ponto de não me deixar experimentar.
Levo comigo a frieza da Antártida, onde vários que tentassem se aproximar não suportariam; levo também, uma muralha erguida conscientemente envolta de espinhos cuja proteção é capaz de amedrontar aqueles mais destemidos que tentassem penetrar automaticamente seriam barrados e voltariam para casa repleto de cortes que, quiçá, jamais poderiam ser curados. Não que eu queira ser sozinha, mas não acho que a companhia de homem seja tão importante, eu só me acho auto suficiente o bastante para não necessitar de alguém ao meu lado.
No entanto, observando melhor a situação, vejo que estou tentando adiar o inadiável, parece-me apenas medo do desconhecido. Percebo que sim, sou capaz de amar e ser amada, porém, considerando o quão birrenta, teimosa e independente sou, seria necessário que um homem fosse capaz de suportar tais coisas sem que questione ou tente me mudar. Vejo casais se amando e pergunto-me se é realmente necessário toda aquela coisa melosa; vejo fotos e legendas enfatizando diversas vezes o quanto se amam e que não são fortes o bastante para viver sem àquela pessoa. Eu não sei se consigo ser assim e bem provavelmente, todos que se relacionam esperam de seu amado ao menos um pouco dessa "melosidade" uma vez ou outra.
Ultimamente tenho pensando tanto sobre isso que chego a não dormir a noite com medo, anseio e inúmeros sentimentos que não sei nomear ou entender pois jamais senti nenhum deles. Mas agora apenas quero repassá-los para alguém que os mereça - e obviamente que me mereça também.
Por fim, deixo minhas palavras falarem por mim, como uma observadora de fora, apenas quero entender o que se passa com a protagonista. Talvez, um dia, eu vá encontrar alguém, mas, por hora, irei ficar quieta, como sempre estive. Para tudo tem seu tempo, estando próximo ou não, não iria adiantar o meu nesse quesito. Prefiro a demora carregada de certeza do que a rapidez repleta de inconveniências e futura dor.
Querido diário, por fim, despeço-me para pairar meus desenhos mais íntimos, pois, como já disse acima sobre meus sentimentos, sou incapaz de descrevê-los e apenas aquele merecedor de armadura brilhante irá tê-los intensamente.
Amélia, 10/08/2015
sábado, 2 de maio de 2015
Longa trajetória; velha história; agora, menos ilusória.
Depois de anos sonhando com seu toque, com seus beijos, suas carícias, suas doces palavras sussurradas no meu ouvido... mas eu nunca pude ter nada disso, você não me dera tanta alegria, apenas um sensação de frio na barriga, que parecia que jamais passaria, nem mesmo um porre terminou com isso, aqueceu. Quisera eu ter minhas unhas caminhando sobre suas costas; minhas pernas abraçando sua cintura; meus lábios sendo prensados contra os seus. Você me prometera amor, carinho, companheirismo... mas a unica coisa que me proporcionou foi uma sensação de vazio; raiva, ódio, desprezo e uma tristeza imensurável.
O sol entrava pela fresta da janela, e quando olhei para o lado, havia um homem sentado ali, com a barba feita por fazer, os olhos fechados, o cabelo liso caindo sobre o rosto... Daria um lindo desenho. "Oh!" Peguei minhas coisas e coloquei-me a desenha-lo, caprichosamente. Cada traço, feito detalhadamente... seria um lindo desenho para se guardar...
Acordo assustada, sonhava que... olho para o lado e lá está o belíssimo, segurando uma folha entre seus dedos longos, espera... uma folha! Sento-me apressadamente e vejo que ele está olhando seu autorretrato, analisando de forma minuciosa. "Como se entendesse algo sobre o desenho ou sobre a arte." - Está incrível! A forma como você joga para a folha a sua natureza íntima e sua paixão pelos traços, demonstram o quão boa artista és! - Fala, com uma voz grossa e carregada de confiança. Ele entende, ele sabe sobre a arte. - A arte é vista com maus olhos para alguns, pensam que ela é feita apenas para os ricos, pois não lhes dá dinheiro e assim, o rico já tem e pode usar apenas como um hobbies. Mas a arte, a arte foi entregue a nós como forma de libertação, com ela, podemos observar coisas que - vista, mesmo que com uma alta frequência - a sua beleza. A arte liberta o homem! - Termina. Se levanta e pisca para mim, saindo do ônibus.
18:30.
Já na cidade de minha amiga, preparo-me para passear por lá, um cinema, um shopping, não sei. Visto um vestido preto, simples, mas sensual; colado no corpo, enfatizando minhas curvas. Uma sandália preta alta e uma corrente dourada. Jogo o cabelo para o lado e saio da casa junto com minha amiga. Ela acende dois cigarros e me passa um.
Chegamos ao shopping, jogamos os cigarros fora e entramos. Andamos lentamente pelos enormes corredores repletos de pessoas, vamos até uma lanchonete e nos sentamos, pedimos um chop... Antes que chegue, vou ao banheiro. Olho-me no espelho, ajeito o vestido e saio de lá. Olho para frente e... lá está ele, com uma calça folgada preta, o boné azul escuro e os olhos verdes brilhando, encarando-me, sinto-me despida até a alma. Nunca o terei. Ele me olha. Eu retribuo. Jogo o cabelo para o lado e coloco-me a andar, passo ao lado dele e continuo, apertando meus lábios, caso fosse rir ou chorar, ao menos iria me segurar.
Sento ao lado de minha amiga, bebo todo o meu chop... bato sem querer em minha bolsa e cai dela uma folha amassada, desamasso a mesma e lá está o homem do ônibus, olhando-me com aquele jeito confiante que só ele possui. Sorrio, está ai minha próxima aventura; o homem, aquele que tanto sonhei e finalmente o encontro, tornara-se agora, apenas uma vaga lembrança, um beijo que nunca foi dado. Ele agora é só apenas alguém que eu conheci.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
15:20..
sábado, 25 de abril de 2015
19:30...
Um horário onde pessoas estão saindo de seus trabalhos miseráveis. Todos se aglomeram em um mesmo lugar: o bar do Harry no fim da rua. Um pequeno boteco com uma luz azul fraca; porém deixa-nos capazes de ver todos ali. Uma máquina antiga de som quase enferrujada tocava a minha música preferida: All My Lovin, Amy Winehouse (cover Beatles).
Engulo o líquido, coloco o copo sobre o balcão, dou uma profunda tragada, inclino a cabeça para trás e solto a fumaça; amaço o cigarro no cinzeiro. Aceno rapidamente para Harry e ele retribui. Pego minha bolsa, jogo sobre os ombros, pego o casaco vermelho e jogo sobre os braços. Caminho e enquanto isso passo a mão nos ombros de Benjamim e Louis; amigos fieis, sempre aqui comigo. Abro a porta e saiu caminhando lentamente; leve-me para onde quiser...

